Seminário produzirá carta com anseios das comunidades indígenas aldeadas

Campo Grande, 24/04/2017 às 16:40

Uma carta com os principais anseios da população indígena urbanizada de Campo Grande será encaminhada ao Poder Executivo. O documento será resultado do “I Seminário de Direitos Humanos e Políticas Públicas para os Povos Indígenas em Contexto Urbano de Campo Grande – MS”, que acontece na tarde desta segunda-feira (24), no Anfiteatro I do Multiuso, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O evento está sendo realizado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais, e pela Subsecretaria dos Direitos Humanos, em parceria com a UFMS e o deputado Zeca do PT.

@9A finalidade é discutir os principais temas que afetam o cotidiano das comunidades indígenas, no contexto urbano, como trabalho, educação, saúde, habitação, assistência social, lazer e identidade cultural, de forma a promover a implantação de propostas voltadas ao cumprimento de políticas públicas que atendam as necessidades básicas dessas populações.

Para o secretário de Governo e Relações Institucionais, Antonio Lacerda, o seminário oportuniza a gestão pública iniciar os trabalhos que o Executivo se propôs com os grupos indígenas.

“Hoje estamos dando um grande passo para algo que começou a ser construído lá atrás. Nosso prefeito sempre manifestou profunda preocupação e interesse em promover as políticas publicas para essas comunidades. Sempre entendemos a necessidade de dar voz, ouvir e, sobretudo, ajudar. Hoje, por meio dessa iniciativa da Subsecretaria dos Direitos Humanos, estamos dando o primeiro passo para fazer tudo que já vínhamos pensando em fazer para promover as políticas para essas aldeias”, afirmou.

O subsecretário dos Direitos Humanos, Ademar Vieira Junior, pontuou que o principal problema a ser enfrentado pela gestão pública é oportunizar emprego. “Os índios saem da aldeia e vêm para a cidade em busca de emprego. Hoje temos 15 mil índios em Campo Grande, a segunda maior população indígena urbanizada do país. Muitos deles não têm trabalho, então temos que discutir e levar para as secretarias as necessidades deles”, frisou.

@6Para o cacique da comunidade indígena Tumune Kalivono (Futuro da Criança), Romualdo Lopes Mamede, a importância da discussão está em formalizar as necessidades da comunidade. “O índio está migrando para as cidades por falta de apoio nas suas bases. Esperamos que o que trazemos para cá hoje não venha ficar só no papel”, afirmou.

Ele também frisou que a principal dificuldade enfrentada em sua comunidade é a falta de moradia e de oportunidade de emprego.

Os mesmos questionamentos foram levantados pelo deputado Zeca do PT, que afirmou ser preciso discutir a real necessidade dessa população e pontuar cada um deles de forma que a gestão pública possa trabalhar para melhorar a vida dessas pessoas. “São homens, mulheres, idosos, crianças que precisam de escola, de moradia, de emprego, de renda, de qualificação. Muito importante as lideranças estarem aqui e saírem daqui convencidos de que serão atendidos”, finalizou.

Além dos órgaos públicos, participam dos debates representantes das comunidades indígenas Darcy Ribeiro (Estrela do Amanhã), Água Bonita, Marçal de Souza, Tarsila do Amaral, Romana, Anapólis e Santa Mônica.