Prefeitura realiza colóquio em alusão ao dia nacional da consciência negra

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Campo Grande, 20/11/2019 às 15:05

Na manhã desta quarta-feira (20) a Prefeitura de Campo Grande através da SEGOV (Secretaria de Governo e Relações Institucionais), da SDHU (Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos) e da CPPIR (Coordenadoria de Políticas de Promoção para Igualdade Racial) realizou um colóquio com o tema ‘’Racismo Institucional’’.

IMG_0825O evento aconteceu no auditório do IMPCG, e ao todo mais de 100 pessoas participaram do colóquio, especialmente dirigido a Guarda Municipal de Campo Grande. O objetivo central foi abrir uma conversação a respeito desta temática, apresentando dados e fatos reais que aumentam as desigualdades em nossa sociedade.

“Campo Grande é a primeira cidade das 5.570 cidades do país a ter uma denúncia de crime de racismo, talvez isso tenha passado despercebido por nós, mas a primeira denuncia criminal feita pelo Ministério Público e recebida por um juiz é nossa e nós precisamos continuar fazendo a diferença onde estivermos”, ressaltou o prefeito Marquinhos Trad.

Os negros (as) não sofrem apenas discriminação racial devido ao preconceito, mas também e, sobretudo o racismo institucional. Trata-se de discriminação racial praticada pelo Estado ao atuar de forma diferenciada em relação a esses seguimentos populacionais.

IMG_0899Para o Subsecretario de Defesa dos Direitos Humanos, Junior Coringa, a criação da Coordenadoria de Políticas de Promoção para Igualdade Racial foi um passo valioso para o combate ao racismo na capital. ‘’A Coordenadoria forma, promove e implementa programas, serviços e ações afirmativas que visam a superação das desigualdades raciais, a eliminação da discriminação e a preservação da memória, da cultura e da identidade étnica da população negra’’.

Já para o GCM, Silas Silva de Araújo, que entrou para o serviço público este ano, o colóquio abre um leque na visão dos Guardas Municipais em relação ao racismo e ajuda a compreender alguns temas importantes em relação ao tema no âmbito institucional. ‘’Esse colóquio está nos dando um norte, e nos apresenta a importância do respeito, agregando conhecimento, para que possamos atender a população com excelência’’ diz Silas.

O colóquio foi realizado pela doutora em educação e pós-doutora em Sociologia Política, Nilda da Silva Pereira, professor universitário, ex-deputado federal e docente na UCDB, Bem-Hur Ferreira, pedagoga, pós-graduada e mestre em Ciências Sociais, Ana Lúcia da Silva Sena e pelo pós-graduando em administração e estratégia da ordem, José Antônio Pereira dos Santos.

Dia 20:

O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no Brasil, em 20 de novembro, foi criado em 2003 como efeméride incluída no calendário escolar — até ser oficialmente instituído em âmbito nacional mediante a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, sendo feriado em cerca de mil cidades em todo o país e nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro através de decretos estaduais.

A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista.

O Dia da Consciência Negra é considerado importante no reconhecimento dos descendentes africanos e da construção da sociedade brasileira. A data, dentre outras coisas, suscita questões sobre racismo, discriminação, igualdade social, inclusão de negros na sociedade e a cultura afro-brasileira, assim como a promoção de fóruns, debates e outras atividades que valorizam a cultura africana.

No contexto histórico, as celebrações do 20 de novembro surgiram na segunda metade dos anos 1970, no âmbito das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O idealizador do Dia Nacional da Consciência Negra, foi o poeta, professor e pesquisador gaúcho Oliveira Silveira. Silveira foi um dos fundadores do Grupo Palmares, associação que reunia militantes e pesquisadores da cultura negra brasileira, em Porto Alegre. Em 1971, ano da fundação do Grupo, ele propôs uma data que comemorasse o valor da comunidade negra e sua fundamental contribuição ao país.

Alguns dados:

Os negros são as maiores vítimas de homicídio. Segundo dados do Mapa da violência, o número de vítimas brancas na população brasileira diminuiu, já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou mais de 30,2%.

Os dados são mais dramáticos quando se consideram os jovens: o número de homicídios de jovens brancos caiu, no período 30%, enquanto o de jovens negros cresceu 25%, o que significa que a brecha de mortalidade entre brancos e negros cresceu.

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