Fecit estimula criação de grupo de iniciação científica em escola da Reme

Campo Grande, 26/11/2019 às 10:58

A realização da primeira edição da Feira das Ciências, Inovação e Tecnologia da Reme, que será aberta na próxima quinta-feira (28) no Centro de Formação da Secretaria Municipal de Educação, está mobilizando as escolas e estimulando a busca pelo conhecimento científico. Um dos exemplos está na escola “Professor João Cândido de Souza”, onde o professor de Educação Física, Gildiney Penaves de Alencar propôs aos alunos do 6º ano, a criação de um grupo de iniciação científica com o propósito de elaborar, utilizando critérios exigidos na produção de um trabalho, uma pesquisa  sobre os jogos e atividades mais praticadas por alunos de 1° a 5° ano durante o recreio.

VOM_3212O professor explica que a ideia do grupo surgiu em agosto para reforçar o embasamento teórico das aulas que ministra, mas também já com foco na Fecit. “Não passo apenas exercícios físicos. Também há o momento de estudo em sala de aula. A parte teórica é importante para complementar o conteúdo”.

Proposta aceita, foi formado o primeiro grupo de iniciação científica da escola, que mesmo antes da Fecit, já levou os quatro alunos integrantes para apresentar o trabalho na 2ª Jornada Interdisciplinar da Estácio de Sá Campo Grande.

Apesar do nervosismo, os alunos deram conta do recado e falaram sobre a pesquisa que realizaram na escola, apresentando gráficos e um texto que segue os padrões de conclusão de um trabalho científico. De acordo com o professor Gildiney, que desenvolve os estudos junto com o acadêmico de Educação Física, Paulo Henrique Cintra, a ideia de abordar a prática de brincadeiras no momento do recreio veio da observação de que muitas crianças estão mais próximas da tecnologia, deixando a prática esportiva de lado. “Quisemos investigar as atividades que os alunos realizam para, a partir do próximo ano, elaborar uma proposta de intervenção com base no resgate dos jogos populares e tradicionais”, enfatizou.

VOM_3218Incentivo

O objetivo foi pesquisar quais os jogos e atividades são mais praticadas por alunos de 1° a 5° ano e para isso foram entrevistados 70 alunos de 6 a 12 anos. O trabalho teve quatro fases de estudo, iniciando com um levantamento do tema proposto até a pesquisa de campo.

Com base em informações como sexo, idade, período matriculado e turma que estuda, o grupo fez os gráficos de apresentação e concluiu, por exemplo, que os jogos populares são mais praticados por meninas e meninos, com destaque para o pega-pega. Já os jogos esportivos são o segundo mais praticados por meninos e o terceiro por meninas, com evidência para o basquete.

Toda esta dinâmica de coleta de dados animou os alunos Ketlyn Ayla de Queiroz, Murilo Lopes da Costa e Ana Vitória Bercó de Souza, de 11 anos e Carlos Henrique Carvalho Ferreira, 12 anos. “Sou muito ligado em iniciação científica, quero fazer curso de robótica porque gosto de descobertas e meu objetivo é apresentar nosso trabalho também fora de Campo Grande”, enfatizou Carlos.

Já Ana Vitória e Ketelyn gostaram do momento da coleta de dados e entrevistas com os demais alunos da escola. “Gostei de conversar com os outros alunos porque a gente fez novas amizades”, pontuou Ketelyn.

Experiência

Na opinião do professor Gildiney, a possibilidade de terem participado de uma mesa redonda na Estácio de Sá irá facilitar a vida acadêmica no futuro. “O trabalho deles passou por uma banca avaliadora de professores e tiveram muitos elogios pelo fato do domínio de conteúdo, consistência nos argumentos e segurança nas apresentações feitas”, disse.

Para o acadêmico e colaborador do grupo, Paulo Henrique Cintra, conhecer a metodologia de elaboração de um trabalho científico já no Ensino Fundamental será importante caso decidam cursar uma universidade. “Eles terão uma grande vantagem porque já sabem como acontece as etapas do processo”, destacou.

Com a experiência de uma apresentação prévia do trabalho, os alunos dizem estar seguros para mostrar o projeto na Fecit. “A gente fica um pouco nervoso, mas depois que começa a falar, fica tudo mais fácil”, concluiu Ana Vitória.

O grupo de Iniciação Científica se reúne uma vez por semana com os orientadores, sempre no contra turno das aulas.