Com foco na valorização das culturas afro e indígena, exposição resgata brinquedos tradicionais

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Campo Grande, 08/10/2018 às 16:57

Em tempos de jogos eletrônicos, apresentar às crianças um brinquedo que era sucesso há, por exemplo, 40 anos, pode parecer fora de contexto. No entanto, essa foi a ideia de técnicos da Divisão de Educação Especial da Rede Municipal de Ensino, que, para marcar a Semana da Criança, organizaram uma exposição do Projeto Brinquedos e Brincadeiras Tradicionais, lançada na tarde desta segunda-feira, no shopping Bosque dos Ipês e que contou com a presença da secretária municipal de Educação, Elza Fernandes e da secretária-adjunta, Soraia Campos.

Além de resgatar esses brinquedos e brincadeiras tradicionais, a proposta da exposição é dar a eles uma roupagem da inclusão, com isso, os cerca de 100 objetos infantis expostos ganharam uma adaptação visual que valoriza as culturas afro e indígena.

Brinquedos5Um exemplo é um dos jogos mais antigos e que até hoje atrai as crianças: a amarelinha, que na versão mostrada na exposição, conta com desenhos alusivos a cultura africana. O mesmo aconteceu com os sacos de estopa, utilizados pelas crianças nas tradicionais gincanas escolares, em corridas. Todos receberam pinturas de etnias indígenas.

Também destacando a cultura indígena, o Jogo da Onça é outro elemento presente na mostra. Jogado em duplas e no chão, com o tabuleiro traçado na areia e usando pedras como peças, o objetivo do jogo é desenvolver o raciocínio lógico.

“Esse evento é fundamental para mostrar às crianças a evolução das brincadeiras, mas tão importante quanto esse resgate é valorizar a interação, pois em um mundo informatizado, é difícil mostrar à elas a importância desses brinquedos, que estimulam o convívio coletivo”, destacou a secretária.

Raciocínio e coordenação

Na opinião do superintendente de Gestão das Políticas de Educação da Semed, Waldir Leonel, o fato de os próprios Ceinfs produzirem os brinquedos foi importante para despertar o interesse dos alunos. “Muitas vezes as crianças fazem atividades apenas no computador, mas ocorre que esses jogos eletrônicos nem sempre trabalham o raciocínio. Além disso, não contribuem com o desenvolvimento do equilíbrio e lateralidade, o que só ocorre em atividades físicas”, pontuou.

Briquedos1O professor Itamar Jorge Pereira, da etnia Terena, disse que ficou muito satisfeito com o resultado do trabalho apresentado pelos Ceinfs. “Através desses brinquedos valorizamos nossa cultura. Tem indígena que desconhece esse material, por isso estamos resgatando as danças típicas e jogos. Também confeccionamos brinquedos como a peteca, utilizando a palha de milho, como é a original”, afirmou.

Outra característica que chama a atenção nos brinquedos expostos, é que eles foram produzidos por crianças de diversas faixas etárias. Até os bebês das turmas de berçário participaram do processo. Foi o que aconteceu no Ceinf Santa Emília, onde estudam 256 crianças. A professora do berçário, Sueli Maciel de Souza, decidiu produzir um tambor indígena. Utilizando tubos de PVC, ela montou a estrutura e os pequenos capricharam na pintura.

“O bom desse projeto é que desde cedo eles já fazem esse resgate das culturas, sem contar que estimula a socialização e coordenação motora. Mesmo sendo bebês, eles adoraram participar e brincar com uma peça que eles contribuíram com a produção”, destacou a professora.

A exposição poderá ser visitada até o dia 15 de outubro, no horário de funcionamento dos shopping Bosque dos Ipês, das 10 às 22 horas.

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