{"id":76410,"date":"2021-10-17T08:37:23","date_gmt":"2021-10-17T12:37:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/?post_type=sec-noticias&#038;p=76410"},"modified":"2021-10-17T14:52:39","modified_gmt":"2021-10-17T18:52:39","slug":"a-culpa-nao-e-das-arvores","status":"publish","type":"sec-noticias","link":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/noticia\/a-culpa-nao-e-das-arvores\/","title":{"rendered":"A culpa n\u00e3o \u00e9 das \u00e1rvores!"},"content":{"rendered":"<p>Os acontecimentos recentes de tempestades de poeira com fortes ventos ocorridos em Campo Grande e outros 17 munic\u00edpios de Mato Grosso do Sul, colocaram holofotes sobre as \u00e1rvores urbanas. Infelizmente, por alguns dias estas deixar\u00e3o de ser lembradas como cart\u00f5es-postais e motivo de celebra\u00e7\u00e3o na capital, para alcan\u00e7arem o status de vil\u00e3s da hist\u00f3ria. Mas ser\u00e1 que elas realmente o s\u00e3o?<\/p>\n<p>O in\u00edcio desta hist\u00f3ria come\u00e7a em not\u00edcias veiculadas h\u00e1 anos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas resultantes do aquecimento global, que ach\u00e1vamos t\u00e3o distante da nossa realidade. Pois bem, a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que j\u00e1 estamos sentindo, neste momento, as suas consequ\u00eancias. Em julho deste ano nos deparamos com imagens de grandes enchentes causadas por tempestades intensas que atingiram \u00e1reas da Alemanha, B\u00e9lgica e Holanda, deixando um rastro de destrui\u00e7\u00e3o e mais de 160 \u00f3bitos. Infelizmente, alguns cientistas preveem que esse tipo de evento pode se tornar muito mais comum. Estudos recentes indicam que as tempestades intensas poder\u00e3o se tornar 14 vezes mais frequentes no continente europeu at\u00e9 o final do s\u00e9culo, por conta do aquecimento global.<\/p>\n<p>E como n\u00f3s, aqui no Brasil, estamos percebendo essas altera\u00e7\u00f5es? A situa\u00e7\u00e3o mais recente nos remete \u00e0s tempestades de poeira que ocorreram no final de setembro nos estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul e novamente, na \u00faltima sexta-feira, em nosso estado. Estas tempestades s\u00e3o raras no Brasil, mas muito comuns em outras regi\u00f5es do mundo, onde s\u00e3o conhecidas como \u201chaboob\u201d. S\u00e3o causadas por temporais de chuva com ventos fortes que, ao entrarem em contato com o solo muito seco, encontram resqu\u00edcios de queimada, poeira e vegeta\u00e7\u00e3o seca. Essa combina\u00e7\u00e3o causa uma esp\u00e9cie de \u201crolo compressor\u201d gigante de sujeira que pode chegar a at\u00e9 10 quil\u00f4metros de altura, associada \u00e0 ventania forte.<\/p>\n<p>A Escala de Beaufort, concebida pelo meteorologista anglo-irland\u00eas Francis Beaufort no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, classifica a intensidade dos ventos de acordo com a velocidade e o poder de destrui\u00e7\u00e3o. Ela varia entre grau zero e 12, sendo o grau zero atribu\u00eddo a ventos calmos e o grau 12 a furac\u00f5es, quando a velocidade do vento ultrapassa os 118 km\/h. Em not\u00edcias veiculadas ap\u00f3s o ocorrido na capital, relatou-se que as rajadas de vento atingiram 94 km\/h durante o evento da sexta-feira. Esta situa\u00e7\u00e3o se enquadra no grau 10 da Escala Beaufort, que prev\u00ea como efeitos em terra, que \u00e1rvores sejam totalmente arrancadas e poss\u00edvel danos estruturais em constru\u00e7\u00f5es. Assim, a queda de tantas \u00e1rvores em Campo Grande, muitas destas saud\u00e1veis, embora tenha sido uma situa\u00e7\u00e3o inusitada para muitos, j\u00e1 era prevista desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. N\u00e3o obstante, um vendaval de 54 km\/h \u00e9, normalmente, o valor utilizado como refer\u00eancia por seguradoras em sinistros em casos de danos ao patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-76411\" src=\"https:\/\/prefcg-repositorio.campogrande.ms.gov.br\/wp-cdn\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arvore-1634473677.jpg\" alt=\"Escala de Beaufort de intensidade dos ventos\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arvore-1634473677.jpg 960w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arvore-1634473677-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arvore-1634473677-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arvore-1634473677-290x163.jpg 290w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arvore-1634473677-180x100.jpg 180w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/p>\n<p><strong>Escala de Beaufort de intensidade dos ventos<\/strong>Por isso, me permitam responder \u00e0 minha pergunta aqui mesmo, no meio do artigo. N\u00e3o, a culpa n\u00e3o foi das \u00e1rvores! E, a maioria delas permaneceriam fornecendo os servi\u00e7os ambientais \u00e0 popula\u00e7\u00e3o por mais algum tempo, caso n\u00e3o tiv\u00e9ssemos passado por um evento clim\u00e1tico extremo. E, ser\u00e1 que se todas as pessoas conhecessem todos os benef\u00edcios da arboriza\u00e7\u00e3o, seriam capazes de ter menos medo e enxergariam que \u00e9 mais vantajoso para a cidade manter e bem manejar a sua arboriza\u00e7\u00e3o? As florestas urbanas trazem diversos benef\u00edcios para n\u00f3s, seres humanos, e estes j\u00e1 v\u00eam sendo investigados por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Uma das causas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tema do in\u00edcio dessa hist\u00f3ria, \u00e9 a emiss\u00e3o dos gases de efeito estufa, entre eles o g\u00e1s carb\u00f4nico. Enquanto o mundo se organiza em conven\u00e7\u00f5es para firmar tratados para a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o desse g\u00e1s, ele pode ser retirado da atmosfera pelo processo de fotoss\u00edntese realizado pelas \u00e1rvores, que o fixa em seus constituintes, como tronco, galhos, folhas e ra\u00edzes. Contribuem, tamb\u00e9m, para a redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o sonora de ambientes urbanos, de forma eficiente.<\/p>\n<p>Poucas pessoas e gestores p\u00fablicos sabem que o plantio de \u00e1rvores em vias p\u00fablicas pode ser um grande aliado na conserva\u00e7\u00e3o de outra infraestrutura urbana (sim, a arboriza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma infraestrutura urbana!), a pavimenta\u00e7\u00e3o asf\u00e1ltica. Em estudo realizado em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP) encontrou-se que quando utilizadas esp\u00e9cies de m\u00e9dio e grande porte, havia uma economia de 58% do valor empregado na manuten\u00e7\u00e3o do asfalto. Nesse processo, a \u00e1rvore tem papel duplo: ela, com sua sombra, garante menores temperaturas reduzindo a dilata\u00e7\u00e3o do asfalto e, com isso, diminuem-se as possibilidades de surgimento de fissuras e buracos. Por outro lado, suas copas e folhas, diminuem a velocidade da \u00e1gua da chuva, servindo como anteparo ao impacto direto das gotas de chuva, que aumentam os buracos pr\u00e9-existentes no asfalto.<\/p>\n<p>Elas contribuem, ainda, para melhoria da qualidade do ar e da \u00e1gua, controle de enchentes, al\u00e9m do aumento do conforto t\u00e9rmico, reduzindo as chamadas \u201cilhas de calor\u201d formadas em ambientes urbanos. Pesquisas feitas h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas em locais de clima quente, como o Brasil, mostram que uma constru\u00e7\u00e3o com \u00e1rvores pr\u00f3ximas pode gastar de 2% a 90% menos energia com refrigera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de diminuir a temperatura do ar em at\u00e9 tr\u00eas graus, sobretudo pelos efeitos do sombreamento, em compara\u00e7\u00e3o com constru\u00e7\u00f5es sem \u00e1rvores pr\u00f3ximas. Existem tamb\u00e9m efeitos diretos do contato com \u00e1reas verdes na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, resultando na melhoria das fun\u00e7\u00f5es cardiorrespirat\u00f3rias e do sistema imunol\u00f3gico, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de casos de depress\u00e3o, estresse e ansiedade.<\/p>\n<p>Portanto, uma \u00e1rvore bem plantada, bem cuidada e bem manejada na cidade promover\u00e1 diversos benef\u00edcios. Cabe aqui ressaltar que todos esses servi\u00e7os prestados pelas \u00e1rvores urbanas podem ser valorados monetariamente, por metodologias j\u00e1 desenvolvidas por pesquisadores da \u00e1rea. Assim, a decis\u00e3o da remo\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rvore deve ocorrer quando o risco e perda econ\u00f4mica, resultante da queda da mesma, suplante os benef\u00edcios que a sua manuten\u00e7\u00e3o proporciona.<\/p>\n<p>Por fim, convido as pessoas que permanecem receosas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rvores urbanas a lerem a recente publica\u00e7\u00e3o disponibilizada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) \u201cVerde Urbano\u201d. Nela, profissionais que atuam diretamente com as mesmas exp\u00f5em de forma simples e did\u00e1tica as diversas faces deste tema apaixonante. Muitos dos cap\u00edtulos me auxiliaram nessa miss\u00e3o de informar, neste momento, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Campo Grande, uma Cidade \u00c1rvore do Mundo, a Capital dos Ip\u00eas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt\"><strong>Silvia Rahe Pereira &#8211; Bi\u00f3loga<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt\"><strong>Auditora Fiscal da Superintend\u00eancia de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Gest\u00e3o Ambiental da Semadur<\/strong><br \/>\n16\/10\/2021<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-76413 aligncenter\" src=\"https:\/\/prefcg-repositorio.campogrande.ms.gov.br\/wp-cdn\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arborizada-1634474160.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arborizada-1634474160.jpg 768w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arborizada-1634474160-300x169.jpg 300w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arborizada-1634474160-290x163.jpg 290w, https:\/\/cdn.campogrande.ms.gov.br\/portal\/prod\/uploads\/sites\/3\/2021\/10\/arborizada-1634474160-180x100.jpg 180w\" sizes=\"(max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":76412,"template":"","meta":{"custom_icon_class":"","footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-76410","sec-noticias","type-sec-noticias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/sec-noticias\/76410"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/sec-noticias"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/sec-noticias"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/sec-noticias\/76410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76414,"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/sec-noticias\/76410\/revisions\/76414"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76412"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campogrande.ms.gov.br\/cgnoticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}