Secretário de Saúde da Capital discute estratégias de enfrentamento ao coronavírus em Brasília

Campo Grande, 06/02/2020 às 12:56

O secretário municipal de Saúde de Campo Grande, José Mauro Filho, participou na manhã desta quinta-feira (06),  em Brasília, de reunião com o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e secretários de saúde dos estados e capitais de todo o país para discutir estratégias de enfrentamente do novo coronavírus em território nacional. A integra da reunião pode ser visualizada clicando aqui.

Convidado a usar a tribuna, o secretário José Mauro Filho elogiou o ministro Luiz Henrique Mandetta pela forma que tem conduzido a pasta destacando a articulação para que o Senado pudesse aprovar de forma célere na data de ontem (05) o projeto de lei (PL 23/2020) que estabelece regras e medidas para controle, no território brasileiro, da epidemia do coronavírus.

O secretário reforça Brasil é um país de dimensões continentais e fronteiriço, tendo cada Estado sua particularidade no que se refere a entrada e saída de pessoas, o que compromete o controle sanitário. Mato Grosso do Sul, em especial, faz divisa com dois países: Paraguai e Bolívia.

“Recentemente vivenciamos ainda um êxito em países como a Venezuela e muitos destas pessoas vão parar no nosso Estado e entram facilmente pelas fronteiras”, disse.

Outro ponto destacado é a necessidade do fortalecimento das ações de Vigilância em Saúde, que convergem na implementação de protocolos e fluxogramas para contenção de eventuais casos suspeitos.

A dificuldade para aquisição de insumos e materiais de proteção individual (EPIs) também é uma das preocupações pontuadas.

“Os municípios e estados enfrentam essa dificuldade principalmente por conta de não dispor de fonte de financiamento, portanto é necessário que isso fique definido”, pontual.

Para a proteção dos profissionais de saúde da rede pública, o governo prometeu lançar licitação para aquisição emergencial de equipamentos de proteção individual. O quantitativo de materiais a serem adquiridos ainda está sendo definido. Entre os itens estão máscaras cirúrgicas, gorro, protetor facial e luvas.

Por fim, Castro Filho destacou a preocupação que deve ser permanente no enfrentamento de doenças como a dengue,  por exemplo, que em Mato Grosso do Sul já fez seis vítimas fatais, sendo duas de Campo Grande.

“Vivemos em áreas endêmicas então essa preocupação tem que ser constante”, finaliza.

Atualização

Conforme a atualização feita pelos estados, nove casos se enquadram na atual definição de caso suspeito para nCoV-2019, uma redução de dois casos suspeitos em relação ao informe do dia anterior.

Durante a reunião nesta manhã, o Ministério da Saúde solicitou a atualização de planos de contingência aos estados e capitais. Os gestores federais, estaduais e municipais irão discutir os protocolos e medidas de prevenção, de acordo com a realidade de cada localidade.

Os casos suspeitos estão sendo monitorados pelo Ministério da Saúde nos seguintes estados: Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), São Paulo (3), Santa Catarina (1) e Rio Grande do Sul (3). O Ministério da Saúde também já descartou 24 casos para investigação de possível relação com a infecção humana pelo coronavírus, três casos a mais do que o boletim divulgado na quarta-feira (5/2). Todas as notificações foram recebidas, avaliadas e discutidas com especialistas do Ministério da Saúde, caso a caso, junto com as autoridades de saúde dos estados e municípios.

Plano de contingência

A implementação de plano de contingência permite a atuação conjunta do Ministério da Saúde, Estados e Municípios, em situações de epidemias e desastres que demandem a ação urgente de medidas de prevenção, com protocolos e procedimentos específicos. O objetivo é conter situações de risco à saúde pública.

COE-MS

 

Em Mato Grosso do Sul a Secretaria Estadual de Saúde (SES) criou o Centro de Operações de Emergência (COE/MS),  com o objetivo de auxiliar na definição de diretrizes estaduais para vigilância, prevenção e controle, bem como o acompanhamento e avaliação das ações desenvolvidas pelo Governo do Estado.

Entre outras ações, o Centro de Operações também irá apoiar os municípios na estruturação das Vigilâncias em Saúde, bem como realizar o monitoramento, acompanhamento e avaliação de sua atuação, assim como monitorar os informes de alerta dos órgãos de acompanhamento para execução dos planos de ação em tempo oportuno.

 

 

Histórico do vírus 

Os coronavírus são conhecidos desde meados dos anos 1960 e já estiveram associados a outros episódios de alerta internacional nos últimos anos. Em 2002, uma variante gerou um surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars) que também teve início na China e atingiu mais de 8 mil pessoas. Em 2012, um novo coronavírus causou uma síndrome respiratória no Oriente Médio que foi chamada de Mers.

A atual transmissão foi identificada em 7 de janeiro. O escritório da OMS na China buscava respostas para casos de uma pneumonia de etiologia até então desconhecida que afetava moradores na cidade de Wuhan. No dia 11 de janeiro foi apontado um mercado de frutos do mar como o local de origem da transmissão. O espaço foi fechado pelo governo chinês.