Córrego Limpo, Cidade Viva

O Córrego Limpo, Cidade Viva constitui-se na implantação de uma rede de monitoramento dos córregos e rio dentro do perímetro urbano de Campo Grande; em um programa de fiscalização; e no desenvolvimento de atividades de educação ambiental para conscientizar a população.

Inicialmente, os corpos d’água foram divididos por microbacia hidrográfica e analisados conforme suas peculiaridades. Esta divisão em microbacia permite saber qual a área de contribuição para cada curso d’água.

Desta forma, houve a escolha dos postos de monitoramento que são pontos georreferenciados. Os pontos, estrategicamente escolhidos, levaram em conta os locais onde se tem instalado empreendimentos ou atividades que lançam seus efluentes nos córregos, bem como nascentes e confluências de córregos.

Nestes pontos são realizadas trimestralmente coletas de amostras e feitas análises laboratoriais. Os resultados obtidos passam por um cálculo matemático e são transformados em um índice numérico – o IQACETESB – que é interpretado comparando-se com uma escala numérica e, conforme o valor, indicam se a qualidade da água está: péssima, ruim, regular boa ou ótima.

Os resultados das análises, além de constituir um banco de dados da evolução da qualidade da água dos recursos hídricos no município, subsidiam todas às demais ações do programa. É possível, por exemplo, saber qual o trecho do curso d’água está mais poluído, informação importante para que se possa identificar quais as principais fontes poluidoras.

Em pontos amostrados experimentalmente antes da implantação do programa pôde-se constatar que existem elevadas concentrações de coliformes termotolerantes em nossos córregos, de maneira geral, o que pode ser um indicativo de poluição difusa, ocasionada principalmente pelo lançamento clandestino de esgoto doméstico nas galerias de águas pluviais. Essas informações mostram a necessidade de uma campanha efetiva de educação ambiental da população sobre a importância do correto destino ao esgoto doméstico.

Por este motivo que os resultados das análises, após sua interpretação, são amplamente divulgados para que a comunidade local saiba como estão as condições dos córregos da região em que reside e lembre-se de sua responsabilidade como cidadão campo-grandense para preservar um bem coletivo.

O programa não tem previsão de término e deverá ser aperfeiçoado para que se possa promover a melhoria da qualidade de vida da população do município e garantir os recursos hídricos às gerações futuras.


A questão é mundial e o problema requer soluções imediatas. Com Campo Grande não poderia ser diferente, pois a água de seus córregos é um recurso dotado de grande valor para seus habitantes, mas que infelizmente têm apresentado declínio na qualidade. Uma iniciativa audaciosa da Prefeitura Municipal poderá dar fim a essa situação.

O crescimento populacional urbano verificado nas últimas décadas associado à poluição dos corpos d’água, à falta de conscientização dos habitantes e à inadequada infra-estrutura apresenta um problema real e potencial a nível generalizado: mostra a escassez de água em quantidade e, principalmente, qualidade.

Muito embora, a nível mundial, o Brasil disponha de uma situação privilegiada em relação à disponibilidade total de água doce, nosso país já apresenta um número crescente de problemas quanto à carência deste recurso em diversas regiões. São essas as razões do aumento do interesse pela adequação do uso da água.

Estudos sobre as doenças resultantes em mortes que a água contaminada produz confirmam que chega a quase 2 bilhões de casos de diarréia no mundo, provocando a morte de 5 milhões de pessoas inclusive 3 milhões de crianças. Por isso a importância de se conhecer a qualidade da água.

Este é o primeiro passo a ser dado por uma prefeitura que tenha comprometimento com a população, visando garantir o uso da água atual e futuro para diversos fins: o conhecimento e monitoramento das condições qualitativas e quantitativas dos recursos hídricos disponíveis dentro de seu município.

Numa reflexão sobre o provérbio chinês “ao beber a água, lembre-se da nascente”, todo cidadão, juntamente com o poder público, tem a responsabilidade de cuidar no presente daquilo que deseja para o futuro. E não poderia ser diferente porque além de ser indispensável à sobrevivência do homem, das plantas e dos animais, a água é um elemento básico para o desenvolvimento socioeconômico de toda a humanidade. O bem-estar das futuras gerações depende de como lidamos hoje com nossos recursos hídricos, e é imprescindível agir para sua preservação. Com atuação e fiscalização de todos, Campo Grande agradece pela vida.

O que precisamos saber:

  1. Por que as águas ficam poluídas? A água é um recurso natural que pode ficar poluído com a presença de matérias orgânicas (de esgotos domésticos) ou tóxicas (despejos industriais ou de agrotóxicos) que alteram suas características físicas, químicas ou biológicas. Isso acontece principalmente pela ação do homem.
  2. Que problema traz a poluição dos córregos? A poluição dos córregos causa a morte de peixes, da flora local, e o difícil aproveitamento da água para outros fins. Em regiões de muita concentração urbana, os córregos são bastante prejudicados pela enorme quantidade de material poluente que recebem das indústrias e das residências.
  3. O córrego poluído pode ser recuperado? Sim, desde que as condições ambientais sejam modificadas. Os cursos d’água têm capacidade de absorver naturalmente os resíduos orgânicos, mas não os resíduos químicos. Portanto, para recuperá-lo, é necessário que o córrego seja limpo, desassoreado e deixe de receber novos poluentes.
  4. A poluição ataca o subsolo? Sim. Os esgotos e resíduos químicos não poluem apenas rios, lagos e mares. Eles podem atingir indiretamente, por infiltração, as águas subterrâneas (lençol freático), e causar sua degradação. A ocupação desordenada do solo e a exploração predatória das reservas de água subterrâneas por parte de algumas indústrias são outros fatores que põem em risco esse recurso hídrico.
  5. O que eu posso fazer para manter limpos os córregos da minha cidade?
  • Não jogue lixo e outros produtos nos córregos e lagos;
  • Não jogue lixo em logradouro público, terrenos baldios ou locais inadequados;
  • Não faça ligação clandestina de esgoto nos córregos e/ou em galeria de águas pluviais, faça a ligação na rede de esgoto se este serviço já estiver disponível no seu bairro;
  • Não retire a cobertura vegetal do solo desnecessariamente;
  • Preserve os cursos d’água e nascentes respeitando suas margens e conservando a mata ciliar;
  • Evite usar ou use moderadamente detergentes e/ou outros produtos químicos para lavar calçadas e pisos;
  • Quando sobrar material de pintura (principalmente tintas e solventes), não jogue fora. Ofereça a amigos, vizinhos ou quem precisar;
  • Não jogue restos de produtos tóxicos (tintas solventes, limpadores de forno, bolas de naftalina, polidores de metais, lustradores de móveis, etc) em pias, ralos ou no solo, nem os queimem. Eles acabam atingindo os córregos;
  • Fique atento. Observe se alguma indústria, residência ou estabelecimento está poluindo algum rio e avise à SEMADUR ao suspeitar de alguma irregularidade;
  • Seja um multiplicador ambiental, exercendo seu papel de cidadão!