Cuidada só por mulheres, horta no Paulo Coelho Machado alimenta família e gera renda

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Campo Grande, 13/01/2020 às 09:56

Cuidada pelas primas Rosângela Maria dos Santos, 46 anos, Maria Aparecida de Jesus, 29 anos, e pela filha dela, Ana Carla de Queiroz, 13 anos, a Horta Urbana localizada no terreno da família alimenta mais de 20 pessoas e ainda gera renda, no Bairro Paulo Coelho Machado.

Rosângela Maria dos Santos conta que mora no local há mais de 24 anos, e quando o pai faleceu foi atrás para regularizar o comodato e assim conheceu o projeto Hortas Urbanas. “Lá na Agência de Habitação nos falaram do projeto e nos propuseram o desafio de ter a horta no nosso terreno, conhecemos o projeto e decidimos encarar”, diz.

Ela conta ainda que a horta sempre foi um sonho do pai, que eles plantavam, mas nada parecido com o que tem hoje. “Meus pais sempre cuidaram daqui plantando. Mas nunca tivemos uma horta como esta. Hoje eu vejo aqui um trabalho e um sonho do meu pai. Meu pai sempre gostou de trabalhar assim, ele sempre ensinou a gente e com a horta a gente está aprendendo”, contextualiza.

IMG_0076Para ela, assim como para Maria Aparecida de Jesus o retorno do trabalho já pode ser visto. “A gente vende, a gente doa se a pessoa não tem. Se tem menos que a gente, a gente doa, de coração, de verdade, Deus dá o retorno maior ainda. A alimentação da família melhorou bastante, porque agora temos salada fresca e saudável todos os dias. É só vir na horta e colher o alimento. Sempre tem salada na mesa”, diz Maria Aparecida.

No momento elas tem plantado couve, alface, rúcula, cheiro verde, berinjela, tomate cereja e pimentão. A nova plantação terá ainda agrião e almeirão.

De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e  de Ciência e  Tecnologia, Herbert Assunção de Freitas,  o projeto Hortas Urbanas traz uma grande oportunidade para aquelas pessoas que desejam ocupar um espaço que muitas vezes está sem utilização, ou até mesmo para aquelas pessoas que tem uma pequena propriedade rural, com todo apoio da Prefeitura. “São oferecidos insumos, suporte e acompanhamento técnico na implantação da horta, caminhão adaptado para buscar os hortifrutigranjeiros até o produtor, além do Saladão, que é uma feira itinerante que ajuda na comercialização desses produtos. É uma opção de renda e também garante uma alimentação mais saudável aos campo-grandenses”, frisa Herbert.

IMG_0057Para o especialista em hortas urbanas, Jair Galvão, que passa as orientações técnicas aos participantes do projeto, esta horta é mais que especial. “Essa horta aqui é um pouco diferenciada, porque além de ser tocada por mulheres daqui para comunidade, ela está praticamente dentro de uma favela, são pessoas de baixíssima renda diferente e essa horta está sendo sustento. Eles estão se alimentando, fazem doação e o excedente é comercializado”, enumera.

Ele explica que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e de Ciência e Tecnologia (Sedesc), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) faz todo o trabalho com os participantes. “A gente ensina tudo desde o início, as pessoas passam por qualificação. A gente praticamente começa do zero, mas isso é bom, porque a pessoa aprende o procedimento certo. Temos uma equipe técnica com agrônomo para dar IMG_0155essa capacitação”, conta.

O projeto tem aproximadamente 80 hortas, e até final deste ano a proposta da administração municipal é de chegar às 200.

A prefeitura tem um papel muito importante,  em todo o processo, na  assistência técnica e cede o maquinário para o preparo da terra.  “Os técnicos da Sedesc deixaram os canteiros prontos para o plantio. Ganhamos o  adubo , as sementes e as mudas para  no primeiro plantio”, explica a horticultora Maria dos Santos.

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